28.8.14

Maior do que Trancoso. | Dois Dedos de Testa

Vista de um dos lados do castelo de Trancoso.

Sempre tive aquela ideia de que, assim que fosse altura de ir para uma universidade, iria para uma cidade longe daqui, onde as oportunidades estivessem perto e a felicidade fosse iminente. Com o tempo, Lisboa passou a ser o único sítio onde eu me conseguia imaginar - à semelhança do Porto. Se não estivesse em Lisboa estaria no Porto - ou não estaria em lugar algum. Assim, quando fui confrontada com a saída de casa para ir para a universidade soube também que, provavelmente, ia ser daquelas pessoas que ia querer voltar para o interior depois de terminar o curso, procurar trabalho cá, fixar-me cá. Afinal, mesmo que sejam poucos, ainda existem jornais e rádios no interior. Mas saí daqui. E Lisboa entrou-me nas veias. Lisboa e o mundo. Ainda não o disse a ninguém mas às vezes acho que estou a fazer algo num projecto que não é aquilo que quero para mim. Respeito e admiro todos os que querem ficar no interior - até fiz disso uma reportagem este ano - mas não é o que quero para mim agora.

Sim, há um, dois anos, eu diria, com certezas, que não me importava nada de voltar para cá, depois do curso. Agora não é bem assim. Depois da licenciatura virá, muito provavelmente, uma pós-graduação ou um mestrado. Ou ambos. E um trabalho. E voltar a viver cá não faz parte dos meus planos para o meu futuro a curto e médio prazo. Viver no interior? Nada contra mas cada vez me identifico menos com isto. Isto não me importa. Nada. Não consigo identificar-me com isto. Não quando encontro a calma sentada no meio de uma multidão que não pára. Não quando vejo aquilo que quero da vida e sei que passa por algo bem maior do que Fiães, do que Trancoso, do que o distrito da Guarda. Talvez não passem de sonhos e daqui a trinta anos talvez vá olhar para este texto e chorar por não ter conseguido nada do que sonhava aqui. Mas esta não é a minha vida. Tenho cada vez mais certezas disso. A dúvida agora reside na questão extra-pessoal: como explicar isto às pessoas? Mais vale não explicar. Há coisas que poucos conseguem compreender.

27.8.14

Nada melhor do que... | Personal Blog Things


Eu adooooooro dormir. Adoro mesmo. Até a minha prima, que vive na Alemanha, já o sabe. Sinceramente, não me importo de acordar cedo (mas não antes das sete), mas se puder dormir gosto de o fazer por muitas horas - não sendo daquelas pessoas que acorda depois das quatro da tarde. Nas férias tento dormir o máximo possível. Hoje não tive essa sorte. O meu dia começou pouco depois das oito da matina - não por minha vontade - e depois de ter estado um bocado a ver Gossip Girl, para acordar de vez, decidi meter mãos à obra e fazer alguma coisa de útil nesta vida. 
Meti a minha colecção de CDs dos 80's a tocar e tirei as roupas todas do armário. Durante uns largos minutos o meu quarto era um cenário de guerra. Foi só até começar a arrumar tudo, analisando cada peça. Normalmente, faço a limpeza ao armário duas ou três vezes por ano, dependendo do número de novas aquisições e da falta de espaço. O que está mais velho vai para o lixo; o resto é dado. Desta vez, como tinha feito uma limpeza na Páscoa, não saíram muitas peças - o que é sinal de que uso realmente tudo aquilo que tenho - mas acabei por arrumar melhor o armário e, assim, risquei mais item da lista de coisas a fazer nas férias da qual falei aqui. Só faltam três! E falta, claro, saber se eu vou conseguir fazer tudo.

À tarde foi a vez de fazer uma remodelação no Tumblr e, depois, de pegar na máquina fotográfica e nuns quantos objectos e ir para o jardim tirar umas quantas fotos. Fotografar é das coisas que mais gosto de fazer. Consigo estar entretida durante umas quantas horas sozinha com a máquina. É verdade! Aconteceu este ano estar duas horas a passear pela baixa lisboeta e ter tirado quase duzentas fotos. Duzentas! E não estava nos meus melhores dias, visto que andava cheia de dores. Imaginem nos dias bons...Mas adiante. 
Acho que as minhas fotografias para o Pic Me Project estão tiradas - e poderão vê-las na próxima semana! - e ainda tirei fotografias para a review de quatro livros e para uma outra publicação. Gosto mesmo de fotografia e, aos poucos - com calma e com muitas fotografias - planeio ir melhorando e evoluindo com a minha máquina, que, embora não sendo nenhuma especialidade, é bastante boa - e eu até já sei personalizar o ISO e tudo! Um dia, daqui a uns quantos anos, ainda vou ter uma Canon ou uma Nikon. Até lá, a Finepix ainda é areia a mais para mim.


26.8.14

Sem filtros. | Confissões


Foi algures em Janeiro de 2013. Depois de alguns problemas com uma pessoa, por causa do blog, comecei, aos poucos, a deixar de publicar no blog como antes fazia. Criei a minha própria censura, qual Inquisição. De repente, tudo o que vinha parar aqui passava por centenas de filtros. De repente este já não era o meu blog. As coisas foram melhorando. Encontrei o meu rumo outra vez mas, ainda assim, havia algo no Escrevi-te um Blog que continuava a não me satisfazer por completo. Depois de semanas de indecisões, decidi fazer aquilo que tinha de fazer para que este blog, que me acolhe há quase cinco anos e meio, voltasse a ser a minha casa, voltasse a ser totalmente meu. Sem filtros (apenas os poucos que uso em fotografias), sem olhar para trás. 
Tal como fiz ao meu Facebook pessoal, decidi limpar o blog. No Facebook eliminei cerca de 500 pessoas; no blog eliminei 600 posts. O critério facebookiano foi o de eliminar os perfis de clubes de fãs, os perfis que já não existem e todas as pessoas com quem não falo e não devo vir a falar. O critério blogosférico consistiu em fazer um back-up de tudo o que estava no Escrevi-te um Blog e transferir para um outro blog, privado. Depois eliminei tudo o que não faz sentido, o que não se encaixa naquilo que quero do blog e muitas das coisas que foram publicadas em livro, no Seja o que for o Amor. O que fica é aquilo que tem de ficar.
Mudei muito no último ano, é verdade. Um bocadinho de amor próprio nunca fez mal a ninguém e tem-me feito muito bem. Passei a ter uma noção diferente da vida, daquilo que faço e daquilo que quero fazer. E aquilo que de mais importante aprendi neste ano foi que não podemos contentar-nos com o suficiente. Durante muito - mesmo muito - tempo achei que fazer era suficiente. Se estava feito então estava tudo terminado, não havia mais nada a fazer. Felizmente percebi que não chega fazer. Há que dar 500%, o possível e o impossível e até mesmo o possimpible*. A vida é curta demais para deixarmos as coisas ficar-se pelo mais ou menos ou por aquilo que é suficiente.
E a mim não me chega o que tenho feito pelo blog. Preciso de mais. E este recomeço é a prova disso. Estão a ver a navbar? Deu-me um trabalhão do caraças para a meter como queria mas consegui o impossível e até personalizei os botõezinhos das redes sociais! Há pequenas coisas que fazem toda a diferença. E voltar a escrever sem filtros é uma delas.

23.8.14

Blind Zero em Trancoso: so let the music talk. | Clicks


Gosto da Feira de São Bartolomeu porque é a oportunidade mais barata que tenho de poder assistir a vários concertos em Trancoso. Já vi muitos concertos lá, embora não tantos quantos gostaria. Vi concertos bons, concertos mais ou menos e concertos dos quais não gostei. Um dos melhores concertos que já vi, em Trancoso e fora de Trancoso, aconteceu ontem, com os Blind Zero. No final, tendo em conta que houve quem me tenha dito que o preço do bilhete era um exagero para se ver uma banda que mal se conhece e que uma banda daquelas não estaria à altura do DJ da noite, saí do concerto uma pessoa mais feliz. E saí do backstage ainda mais feliz. Quando não conhecemos uma banda não podemos dar opiniões sobre ela, mesmo que os outros nos falem dela. Há que dar uma oportunidade a cada banda de nos mostrar aquilo de que é capaz e, aí, decidimos se gostamos ou não - mas nunca baseado em ideias dos outros. Eu já gostava dos Blind Zero mas saí dali a gostar ainda mais. 
Não estive mais do que vinte minutos na tenda electrónica. Acho que continuo a preferir música de bandas e artistas do que música de DJ's. Não se trata de um DJ ser bom ou não. Dançar um bocadinho tudo bem mas mais do que isso não me apeteceu. E, fica uma sugestão, para o ano não devia haver tenda: os DJ's podiam actuar no palco principal, depois das bandas. Dançar ao ar livre é porreiro e em dias em que a tenda enche muito não se está lá muito bem dentro...digo eu, que não sou claustrofóbica e senti aquilo demasiado abafado. É isso e o Pavilhão Multiusos.

Dancei mais e diverti-me com a banda do Miguel Guedes, que admiro pela escolha clubística, pela voz e também pelas crónicas que vai escrevendo para o Jornal de Notícias, e lamento não ter havido mais gente a assistir ao concerto. Não sabem o que perderam!
Gosto de música que me faz sentir bem, que tem letras com algum significado e que não são letras vazias. Gosto de música que se pode ouvir de olhos fechados, apenas para sentir a música. Gostei do concerto de ontem porque me senti bem, porque a música era boa, porque estava ali e não havia um outro qualquer sítio onde quisesse estar. Só assim é que faz sentido.

Há mais fotos a seguir. Vejam a última. Vou andar babada com aquela foto durante dias!

21.8.14

E se a tesoura fosse a tua maior inimiga?

Uma das publicações mais polémicas que partilhei no blog é de Outubro de 2012. Na altura, através do Tumblr, penso eu, fiquei a conhecer um caso de auto-mutilação. Na altura não fazia a mínima ideia quem era a pessoa, nem tão pouco sabia se a conhecia ou não. Publiquei o texto, recebi alguns comentários e pensei que ficava por ali mas, desde aí, recebo de vez em quando muitas mensagens sobre a publicação. Pessoas que se auto-mutilam, pessoas que conhecem pessoas, etc. Respondo a todas, claro. Recentemente fui contactada por uma rapariga brasileira que me contou que tinha lido aquilo que eu escrevera e que ela se cortava. Depois de conversarmos, ela enviou-me um texto que escreveu, uma carta. Isto aconteceu no início de Julho. Contactei-a recentemente e ela disse-me que já não se corta há algum tempo, o que eu acho que é uma vitória. 
(tumblr)
A carta, destinada à inimiga tesoura, segue em baixo. Tal como disse, foi enviada por uma leitora do Brasil logo eu não alterei o português do Brasil para português de Portugal. Acho que se compreende.

19.8.14

World Photography Day Special | Clicks

Celebra-se hoje o Dia Mundial da Fotografia e, como forma de quase remediar a ausência desta rubrica por aqui, resolvi juntar um pequeno grupo de fotografias destas férias de Verão para me juntar também à celebração deste dia. E, a propósito, esta primeira foto foi de uma das minhas tentativas de foco-desfoco e ficou como eu queria - point to Sofia! Enjoy!

17.8.14

As entrelinhas

Música por dois motivos: um é o concerto de logo, de tributo aos ABBA, na Feira de S. Bartolomeu; outro é o relembrar uma promessa feita há uns quantos meses.

As coisas por aqui têm andado paradinhas, eu sei, mas acho que todos aprendemos com os erros daí que nem justificações tenho para apresentar. Mas isto vai ao sítio. Deixem-me só ir ali até outras décadas de música da boa e eu mostro como isto voltou ao sítio. Afinal, só quem está presente é que faz falta. O resto são tretas.